TDAH em adultos: distração ou algo mais?
- Dra Cristyelen Feksa

- 30 de mar. de 2025
- 4 min de leitura
Muitas pessoas imaginam que o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) afeta apenas crianças inquietas na escola. Mas a realidade é que muitos adultos convivem com o transtorno sem sequer perceber. Esquecimentos frequentes, dificuldade em manter o foco e impulsividade podem ser sinais de algo além da simples distração.
O que acontece no cérebro de quem tem TDAH?
O TDAH não é apenas uma questão de força de vontade ou “falta de organização”. Ele está ligado a diferenças no funcionamento cerebral, especialmente em áreas responsáveis pelo controle da atenção e do comportamento.
• Neurotransmissores desregulados: O cérebro de quem tem TDAH apresenta menor disponibilidade de dopamina e noradrenalina, substâncias químicas essenciais para a concentração, motivação e regulação do impulso.
• Córtex pré-frontal menos ativo: Essa região do cérebro é responsável pelo planejamento, organização e autocontrole. No TDAH, ela pode funcionar de forma menos eficiente, dificultando a manutenção do foco e o controle da impulsividade.
• Dificuldade no “freio” cerebral: Enquanto a maioria das pessoas consegue filtrar distrações e priorizar tarefas, o cérebro de quem tem TDAH tende a captar muitos estímulos ao mesmo tempo, tornando a concentração um desafio.


Como isso afeta a vida adulta?
No dia a dia, essas diferenças cerebrais podem levar a dificuldades como:
✔️ Procrastinação constante e dificuldade em concluir tarefas
✔️ Esquecimento de compromissos ou prazos
✔️ Sensação de mente acelerada, mas sem conseguir manter o foco
✔️ Dificuldade em organizar rotinas e administrar o tempo
✔️ Impulsividade, levando a decisões precipitadas
O que pode parecer TDAH, mas não é?
Nem toda dificuldade de concentração ou organização significa TDAH. Outras condições podem causar sintomas semelhantes:
• Ansiedade: A preocupação excessiva pode ocupar tanto a mente que a pessoa tem dificuldade em se concentrar.
• Depressão: A falta de motivação e energia pode ser confundida com desatenção.
• Privação de sono: O sono inadequado compromete o funcionamento do cérebro, prejudicando foco e memória.
• Estresse crônico: Excesso de demandas pode gerar dificuldade de concentração e sensação de mente sobrecarregada.
• Hipotireoidismo: Alterações hormonais podem afetar energia e atenção.
• Transtorno Bipolar: Aqui a confusão é ainda mais comum, pois o transtorno bipolar pode apresentar impulsividade, agitação e distração nas fases de mania ou hipomania. A diferença principal é que, no bipolar, esses sintomas ocorrem em episódios, alternando com períodos de humor deprimido ou normal. Já no TDAH, a desatenção e impulsividade são constantes ao longo da vida.
Por isso, é essencial uma avaliação profissional antes de fechar um diagnóstico.
Vitaminas, nutrientes e suplementos que podem ajudar no TDAH
Embora o tratamento médico seja fundamental, algumas vitaminas e nutrientes podem ajudar no funcionamento do cérebro e aliviar sintomas, especialmente quando há deficiência.
• Ômega-3 (EPA e DHA): Essencial para a comunicação entre neurônios, podendo melhorar atenção e impulsividade.
• Vitamina D: Fundamental para a produção de dopamina e serotonina, neurotransmissores importantes para o foco e o humor.
• Magnésio: Regula neurotransmissores e pode ajudar a reduzir hiperatividade e ansiedade.
• Ferro: Essencial para a produção de dopamina; baixos níveis podem aumentar sintomas como desatenção e fadiga.
• Zinco: Auxilia na regulação da dopamina e pode melhorar a resposta aos tratamentos.
• Vitaminas do Complexo B (B6, B9 e B12): Importantes para a produção de neurotransmissores, podendo ajudar na concentração e na regulação emocional.
• Coenzima Q10 (CoQ10): Essencial para a produção de energia nas células cerebrais, podendo melhorar o foco e reduzir fadiga mental. Estudos sugerem que a CoQ10 pode auxiliar no funcionamento cognitivo, sendo especialmente útil para pessoas que sentem cansaço excessivo junto com sintomas de TDAH.
Esses nutrientes não substituem o tratamento, mas podem contribuir para o equilíbrio do cérebro quando combinados com uma alimentação saudável e acompanhamento médico.
Existe tratamento?
Sim! O tratamento pode envolver:
✅ Medicamentos que regulam os neurotransmissores e melhoram o funcionamento do cérebro
✅ Terapia comportamental, para desenvolver estratégias de organização e foco
✅ Mudanças no estilo de vida, como técnicas de planejamento, sono adequado e exercícios físicos
Se você se identifica com esses sintomas ou sente que eles impactam sua vida, procurar ajuda profissional pode fazer toda a diferença. O TDAH não significa falta de capacidade – com o tratamento adequado, é possível melhorar muito a qualidade de vida!
Referências:
As informações deste post foram baseadas em estudos científicos e revisões de literatura sobre TDAH. Para aprofundamento, consulte publicações como as do Journal of Attention Disorders e Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry.
1. Faraone, S. V., & Biederman, J. (2005). What Is the Prevalence of Adult ADHD? Results of a Population Screen of 966 Adults. Journal of Attention Disorders, 9(2), 384–391. DOI: 10.1177/1087054705281478
2. Arnsten, A. F. T. (2009). The Emerging Neurobiology of Attention Deficit Hyperactivity Disorder: The Key Role of the Prefrontal Association Cortex. Journal of Pediatrics, 154(5), I-S43. DOI: 10.1016/j.jpeds.2009.01.018
3. Volkow, N. D., Wang, G. J., Newcorn, J., et al. (2007). Brain dopamine transporter levels in treatment and drug naïve adults with ADHD. NeuroImage, 34(3), 1182–1190. DOI: 10.1016/j.neuroimage.2006.10.044
4. Cortese, S., Ferrin, M., Brandeis, D., et al. (2016). Neurofeedback for Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder: Meta-Analysis of Clinical and Neuropsychological Outcomes From Randomized Controlled Trials. Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, 55(6), 444-455. DOI: 10.1016/j.jaac.2016.03.007
5. Wigal, S. B. (2009). Efficacy and Safety Limitations of Attention-Deficit Hyperactivity Disorder Pharmacotherapy in Children and Adults. CNS Drugs, 23(1), 21-31. DOI: 10.2165/00023210-200923010-00003



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